RADIO TAJENOJE

Aug 6, 2010

Leviatã? A Bíblia e os grandes monstros marinhos

Leviatã? A Bíblia e os grandes monstros marinhos


Você já deve ter feito a seguinte pergunta: Quem foi que criou os monstros marinhos? De onde eles vieram? Eles de fato existiram?
Esses grandes monstros marinhos, crocodilos, serpentes eram animais mitológicos que os antigos pensavam habitar o mar, e simbolizavam o mal?
Quanto mais estudo as Escrituras, mais “descubro” suas riquezas e preciosidades. Estas criaturas mencionadas acima são mencionadas em muitas passagens do Antigo Testamento. Estudiosos como John
Grammie dividem-se entre a opinião de que o autor do livro de Jó entendia que as criaturas descritas em seu livro (Jó 40.15-32; 41.1-43) eram monstros míticos e a de que eram animas naturais. Outros como Nicolas Kiessling disse: “os mais temíveis dragões do Antigo Testamento, tanin, leviatã, raabe, são horríveis, mas vagas encarnações do mal, oponentes de Deus e do homem. Eles habitam as profundezas dos mares e são com freqüência empregados como metáforas oportunas de reis pagãos hostis aos filhos de Israel”.
A palavra hebraica תַּנִּינִם (tâninim) ocorre 15 vezes no Antigo Testamento, referindo-se a diferentes tipos de criaturas: um monstro marinho que Deus destruiu ou destruirá (Sl. 74.13; Is. 27.1; 51.9); monstros marinhos em geral (Gn 1.21; Jó 7.12; Sl 148.7); uma metáfora da Babilônia (Jr 51.34) ou do Egito (Ez. 29.3; 32.3) como inimigo de Israel; e serpentes (Ex 7.9,10,12; Sl 91.13). Leviatã (Jó 3.8; 41.1; Sl 74.14; 104.26; Is 27.1) e “raabe” (Jó 9.13; 26.12; Sl 87.4; 89.10) são usados no Antigo Testamento como paralelos de “tanin”.
Em Gênesis 1.21 diz que Deus criou os monstros marinhos, tâninim significa que Deus criou e controla tudo o que há no universo, mesmo o que os outros povos consideravam símbolos do mal. As pessoas nada a tinham a temer no mundo. Deus possui os poderes do mal em suas mãos. Ele os fez e lhes deu nome. Dois outros aspectos dessa passagem são significativas: (1) o verbo hebraico בָּרָא (bara’), “criou”, é empregado só na segunda parte do capítulo 1 de Gênesis. A razão provável é que a vida animal fosse considerada um degrau acima do restante da criação até aquele momento. (2) a palavra בָרֶךְ ( barekh) “benção” é usada pela primeira vez nesse capítulo (Gn 1.22).
Westermann observou que a “benção” aqui inclui o poder de propagar a espécie. Este é o significado básico da palavra benção: o poder de ser fértil. É evidente que a vida do ser vivente, seja do homem, seja do animal, inclui a capacidade de propagação. Sem isso não seria uma vida real.
O sexto dia da criação (Gn 1.24-31) testemunha a criação dos animais terrestres e dos homens com uma diferença notável na descrição da origem dos dois. Os animais terrestres vêm da terra: “produzam a terra…” (v. 24). Mas o homem é objeto íntimo e direto da obra criadora de Deus: “Façamos o homem à nossa imagem” (v. 26).
A palavra “criar”, בָּרָא (bara’), ocorre três vezes no versículo 27 para deixar claro que o ponto culminante e alvo da criação divina é atingido na criação dos seres humanos. As pessoas e os animais foram criados no mesmo dia e ambos são chamados distintamente “nephesh hayâ,” – “seres viventes”. Cada um possui a capacidade de propagação da espécie. Ainda assim, os homens destacam-se como seres ímpares, feitos à imagem de Deus. Eles recebem domínio sobre todos os outros seres criados.
Nele, o Criador por Excelência
Pr Marcelo de Oliveira
Bibliografia: Smith, Ralph. Teologia do A.T. Edições Vida Nova 2007