Aug 6, 2010

Mi Zot ? Quem é esta ?

Mi Zot ? Quem é esta ?

O texto hebraico de Cantares 8:5 diz: “Mi zot olah min-há-midebar mitêrapéket al-Doda”? Quem é esta que sobe do deserto apoiada (encostada) ao seu amado? O texto diz que a pessoa sobe do deserto. Deserto lembra sequidão, desolação, solidão, esterilidade, lugar não habitável, lugar de provas, de muitos desafios.
Grandes acontecimentos de Deus ocorreram no deserto como lembra o Profeta Oséias - o amor de Deus
para com Israel tornou-se expressivo no deserto: “Eu te conheci no deserto, em terra muito seca” (Oséias 13:5). Moisés estava no seu labor diário levando o rebanho de ovelhas para o lado ocidental do deserto (Êxodo 3:1) e, junto ao Horebe, Montanha de Deus, teve uma experiência marcante com o Grande EU SOU (Êhiê Ashér Êhiê), verso 14. Foi no deserto que Moisés também visualizou “Éretz Zavat Halav U-Dvash”, a Terra que jorra leite e mel, verso 08.
Adoração e louvores ocorreram no deserto (Sinai) como no caso de Débora, a profetisa: “Eu mesma cantarei ao Senhor; salmodiarei ao Senhor, Deus de Israel (Juízes 5:3-5)”. E para não alongar muito, basta lembrar a declaração de Moisés diante de Faraó: “O Senhor, o Deus dos hebreus, me enviou a ti para te dizer: Deixa ir o meu povo, para que me sirva no deserto” (Êxodo 7:16).
Deserto pode tornar-se bênção para os que servem a Deus. Um exemplo marcante está relacionado a Josué: Só após longos anos de treinamento no deserto, estava apto por Deus para conduzir o povo de Israel à Terra Prometida (Josué 1:2). Constantemente ouvimos: “Estou passando por um deserto” ou “o deserto está estreito”. No plano de Deus há bênção em tudo isso. A propósito, diz o Salmo 84:6“O qual passando pelo vale de Baca (émek BaHá, vale árido) faz dele uma fonte”.
Mas, ‘Mi Zot’? Quem é esta ? – que vem subindo do deserto apoiada ao seu amado? Trata-se da jovem Sulamita, a esposa do amado. Alegoricamente, é figura da Igreja, a noiva, a esposa do Cordeiro. O amor verdadeiro sustenta e conforta sempre. A idéia de encostar-se, apoiar-se proporciona segurança, descanso e amparo. Mesmo no deserto das dificuldades e provações, podemos encostar-nos ou apoiar-nos no Amado dizendo: “Eu sou do meu amado e o meu amado é meu” (Aní lê-dodi, vê-Dodi li), Cantares 6:3.
Numa reunião de oração, um africano, depois de pedir bênçãos a Deus e agradecer por outras, acrescentou: “E, ó Senhor, põe estacas em nós! Sim; põe estacas em todas as nossas necessidades de encostar”! Ora, curiosamente o termo hebraico ‘encostada no amado’, o verbo encostar é ‘lerapék’- apoiar, encostar, dar uma cotovelada ( Rivka). O texto de Zacarias 10:4 diz: Dele é a estaca (heb. ‘iater’ – estaca, base, fundamento, apoio). A estaca é ponto de apoio como certamente o africano teria experiência de escorar planta pequena ou grande na lavoura ou situação outra.
Devemos ter a consciência de que podemos apoiar-nos em Deus em todas as circunstâncias da nossa vida e, na intimidade com o Senhor, dar até uma “cotoveladinha” no Amado solicitando algum livramento, a exemplo do Salmo 38:22; e firmando bem as nossas estacas como cita o profeta Isaías (cap. 54:2-b), crendo sempre que o Senhor é poderoso para nos proporcionar um banquete até mesmo no deserto (Salmo 78:19).
Dr. Agnaldo Sacramento