Jan 16, 2014

SÉTIMA CARTA; À IGREJA DE LAODICÉIA




14. “E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”.

I. “...Ao anjo da Igreja”. O leitor deve observar que em todas as igrejas, a mensagem inicia-se com a expressão: “...ao anjo da igreja”, e concomitantemente, já estamos familiarizados com esses seres denominados de “anjos” (mensageiros), que no contexto divino são chamados de “estrelas” (cf. 1.20; 2.1, 8, 12, 18; 3.1, 7, 14). Podemos deduzir daquilo que é depreendido, de (Cl 4.12, 13), onde lemos: “Saúda-vos Epafras, que é dos vossos, servos de Cristo, combatendo sempre por vós em oração, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus. Pois eu lhe dou testemunho de que tem grande zelo por vós, e pelos que estão em Laodicéia...”. Que Epafras, tenha sido pastor nesta igreja, é bem evidente, mas, não podemos afirmar que trinta anos depois, o mesmo ainda se encontrava ali.
1. LAODICÉIA. O nome significa “Laodice” (em alusão a Laodice esposa de Antíoco II). Outros, porém, vêm nessa palavra grega o significado de “poko”, “juízo”, ou “costume”. Situação Geográfica: Laodicéia era uma cidade da província romana da Ásia Menor. A cidade recebeu este nome em alusão à esposa de Antíoco II (Theos), que tinha o nome de Laodice. “Já que Laodice era nome feminino, nos tempos do Novo Testamento, seis cidades receberam tal nome, no período helenista. Por essa razão, a Laodicéia do presente texto, era chamada de “Laodicéia do Lico”, isto é, conforme asseverava Estrabão; 578”, in loc. O trecho de Colossenses 4.13-16 mostra-nos que, nos tempos de Paulo (talvez em 64 d. C.), Laodicéia já contava com uma igreja organizada e próspera.
2. Isto diz o Amém. Como já ficou demonstrado em comentário anterior a este, o Senhor Jesus, quando se apresenta a cada igreja, primeira faz uma pequena introdução, depois prossegue. A palavra “Amém” veio sem tradução do hebraico para o grego e do grego para o português. Seu significa original traz a idéia de cuidar ou de edificar. O sentido derivado, que chegou até nós, traz a idéia de alguma coisa que é afirmada, ou confirmada positivamente; este é o seu sentido original. O termo é aplicado aqui à pessoa de Cristo, por ser Ele o sim de Deus em todas as promessas (cf. 2 Co 1.19-20). Neste livro do Apocalipse, o termo “Amém” envolve quatro usos distintos:
(a) O “amém” inicial, em que as palavras de quem fala são tomadas como palavras daquele que profere o “amém” (cf. Ap 5.14; 7.12; 19.4 e 22.20). Nas páginas do Antigo Testamento há instâncias desse uso em 1Rs 1.26; Jr 11.5 e 28.6, e ss.
(b) O “Amém” isolado, em que qualquer sentença suplementar fora eliminado. Talvez isso é o que se tem em Ap 5.14, ver ainda tal uso, igualmente, em Dt 27.15, 26 e Ne 5.13, e ss.
(c) O “Amém” final, proferido pelo próprio orador (ver Ap 1.6, 7) isso também se acha no Antigo Testamento, somente nas quatro divisões dos salmos, nos subtítulos, em Sl 41.14; 72.19; 78.52 e 106.48, e ss.
(d) O “Amém” personificado, isto é, Cristo (Ap 3.14), que talvez siga o mesmo, segundo se diz, fraseado de (Is 65.16), “o Deus do Amém” ou “o Deus da Verdade”, conforme algumas traduções traduzem aquela passagem de Isaías.

15. “Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente: Oxalá foras frio ou quente!”.

I. “...nem és frio nem quente”. “Somos informados que Laodicéia não tinha suprimento de água própria, mas que tinha de ser servida por um aqueduto. Nesse caso, a água chegava morna. Os laodicenses se assemelhavam à sua água. O simbolismo fala sobre a indiferença “religiosa”, sobre a superficialidade, sobre a falta de resolução” (cf. Hb 8.5 e 9.23).
1. Três coisas marcantes devem ser analisadas na carta a igreja de Laodicéia:
(a) O “tu és” da mornidão; (b) O “dizes” da autocomplacência (a igreja não tinha paixão nem emoção) e (c) O “és” da condenação infalível e terrível do Senhor. O Apóstolo Paulo, escrevendo aos colossenses cerca de 32 anos atrás, disse: “quero se saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodicéia...” Cl 2.1a. Ele observou que o quente ali estava ficando “morno”. Cerca de trinta e dois anos mais tarde, isso se concretizou. A mensagem à igreja de Laodicéia é a última às sete igrejas da Ásia Menor. Das sete cartas, é a mais triste, sendo o contrário da carta a Filadélfia. Enquanto Filadélfia não tem coisa alguma de censura, esta não tem qualquer coisa de aprovação. Laodicéia era totalmente desagradável ao Senhor, e isso não por causa de seus pecados (tais como os repreendidos em Pérgamo e Tiatira), mas por causa da sua apatia, seu indiferentismo. Deus quer que seus filhos sejam “fervorosos no espírito” (cf. Rm 12.11).

16. “Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”.

I. “...és morno”. Em toda a extensão da Bíblia, a palavra “morno” é usada somente aqui. Três temperaturas são mencionadas neste versículo: “Frio”, “Quente” e “Morno”. Mas intermediária foi considerado por Jesus Cristo a pior de todas elas, pois expressa apatia espiritual”. Jesus predisse a primeira em (Mt 24.12); Paulo falou da terceira em (Rm 12.11), ver ainda (Sl 41.1 e At 18.25).
1. Vomitar-te-ei da minha boca. O estado de mornidão na criatura que aceita a Cristo e não o segue com sinceridade, é muito triste sob vários aspectos: (a) Fica “coxeando entre dois pensamentos...” (1Rs 18.21), à semelhança da “onda do mar”. Ver Tg 1.6; (b) “O seu coração está dividido...”. Ver Os 10.2a; (c) Ele serve ao Senhor: “...porém não com o coração inteiro”. Ver 2 Cr 25.2b; (d) “É um bolo que não foi virado”. Ver Os 7.8b. São eles, em nossos dias, os que querem servir a Deus e as riquezas (Mt 6.24), e por cuja razão ficam pendurados “entre o céu e a terra” como Absalão, o jovem ambicioso (cf. 2Sm 18.9). O resultado é ouvir do Senhor: “Vomitar-te-ei da minha boca”. O termo “vomitar” no grego é “emeo”, significa também “cuspir”. Desse termo é que deriva o vocábulo moderno: “emético”, um agente que causa vômito”. O organismo humano, não suporta substância morna; o Filho de Deus também não suportará crentes rotulados; só os que forem fiéis (cf. Hb 6.4-8). Laodicéia em suma representa a igreja “morna” que Jesus “vomitará” no dia do arrebatamento. (Como contexto demonstrativo: Mt 25.10-12).

17. “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”.

I. “...Rico sou”. O poder absoluto corrompe! Isto pode ser analisado tanto no campo secular como espiritual. Há criaturas que não se deixam mais admoestar; e vão a perdição (cf. Ec 4.13). A experiência do servo de Deus deve está aquém da direção divina, pois sem ela jamais atingiremos o alvo (ver. Jr 9.1-14). O pastor de Laodicéia dizia consigo mesmo (à semelhança do fariseu): “Rico sou” (Cf. Lc 18.11 e Ap 3.17).
1. Estou enriquecido. O orgulho cegou-lhe os olhos da alma. Isso serve de advertência para todos: o orgulho é pecado (Pv 21.4); mas dificilmente existe algo mais importante para o indivíduo carnal. Consideremos os pontos seguintes: (a) O orgulho é odioso para Cristo. Pv 8.13; (b) Origina-se na justiça própria. Lc 18.11; (c) Deriva da inexperiência espiritual. 1Tm 3.6; (d) Contamina o homem. Mt 7.20, 22; (e) Endurece a mente. Dn 5.20; (f) Impede a inquirição espiritual. Sl 10.4; (g) É uma das grandes características do diabo. 1 Tm 3.6, e também dos ímpios. Rm 1.30; (h) Impede o aprimoramento espiritual. Pv 26.12; (i) Os orgulhosos eventualmente serão humilhados por Deus. Is 2.12; (j) O orgulho espiritual, segundo Paulo tornar-se-á muito comum nos últimos dias (2Tm 3.2). O anjo dessa igreja, tinha todas essas características em grua supremo.
18. “Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestidos brancos, para que te vistas, e não apareças a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas”.

I. “...unjas os teus olhos”. Transcrevemos aqui a oração feita por um justo para que Deus guardasse seus olhos da cegueira espiritual: “Põe colírio nos meus olhos, Senhor (Ap 3.18). Eles são maus; e porque são maus, expõem-me o corpo a trevas mui perigosas (Mt 6.23). Ajuda-me, ó Deus puro e santo, a erguê-los para Cristo Jesus, autor e consumador da fé (Hb 12.2); a pô-los na brancura virginal dos lírios (Mt 6.28); a elevá-los para os montes e depois olhar para o alto donde vem socorro (Sl 121.1). Não quero apenas ouvir-te a voz, Senhor, mas verte-te (Jó 42.5). E como te verei com estes olhos? Aponta-me o Siloé (Jo 9.7), em cujas águas possa remover o lodo restaurador dos meus olhos enfermos. Porque hei de prender, apavorado, meus olhos às forças desta vida, se, fitando o Senhor, possa caminhar sobre ondas revoltas sem perigo de naufragar (Mt 14.29). Que consolo há em saber que os teus olhos repousam sobre os justos (1 Pd 3.12)”. Se o pastor de Laodicéia tivesse feito essa oração, há muito que se teria arrependido. É sabido, segundo alguns historiadores que, em Laodicéia havia uma Escola de Medicina que fabricava um pó oftálmico. Mas a “terra Frigia” (cinza da Frigia?) não curava a cegueira espiritual da Igreja.

19. “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: Sê pois zeloso, e arrepende-te”.

I. “...arrepende-te”. Deus exorta através de Jesus “a todos os homens, e em todo o lugar que se arrependam; Porquanto tem determinado um dia que com justiça há de julgar o mundo...” (At 17.30a). Sobre o “arrependimento”, o Novo Testamento usa o termo grego “metanoia” por sessenta vezes. Essa palavra tem diversos significados e diversas aplicações, sendo, porém, seu sentido primário: “uma mudança de parecer ou pensamento” para com o pecado e para com a vontade de Deus. O “arrependimento” é o primeiro aspecto da experiência inicial da salvação experimentada pelo crente, experiência essa que é chamada de conversão. A conversão autêntica é uma parte essencial e a prova da regeneração. A regeneração é a obra de Deus no íntimo e a conversão é a exteriorização, da salvação, por parte do homem, através do arrependimento e da fé. Pedleton dar a idéia de que a palavra: “arrependimento” e a tradução que tem, no Novo Testamento, abrange também o sentido primário de “reflexão posterior”, e, com sentido secundário, “mudança de pensamento”. No presente versículo a exortação de Cristo, não é dirigida àqueles que estão sem salvação, mas aos que professam segui-lo, e são tidos como pertencentes a Ele. Jesus não lhes diz “arrepende-te e sê zeloso. E sim “sê”, pois, zeloso e arrepende-te”. Isto porque até diante de si próprios passavam por se terem arrependidos.
1. Eu repreendo e castigo. (Contexto reflexivo). “A aplicação da disciplina pode ser em forma de advertência pessoal (Mt 18.15); visitação acompanhada (1Co 4.19-21); advertência pública (1Tm 5.20); comunicação escrita (2Co 7.8-10); exortação pessoal (Gl 6.1); suspensão (2Ts 3.14, 15; Tt 3.10); exclusão do rol de membros. Mt 12.17b”.
20. “Eis que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”.

I. “...Eis que estou a porta, e bato”. A porta à qual Cristo bate é a porta da vida do indivíduo, da igreja, ou da comunidade.
1. “A famosa pintura de HOLMAN HUNT, em que Cristo aparece diante da porta, a bate, não mostra a maçaneta do lado de fora. Quando Sir Noel Paton pintou o famoso quadro representando o Rei coroado de espinho batendo à porta, foi censurado por que se esquecera de incluir a maçaneta na porta. Mas o célebre pintou de propósito omitira a maçaneta. É que só pode ser aberta pelo lado de dentro. Um homem conhecido na cidade, levou, certa feita, seu filho pequeno, para ver esse quadro. O menino ficou ali pensando, por alguns momentos, e então perguntou: “Porque não abrem a porta?”. O pai respondeu que não podiam ouvi-lo batendo. O menino considerou a resposta por uns momentos mas não ficou satisfeito com a mesma. “Não”, disse o garoto? “é que estão ocupados no quartinho dos fundos, fazendo outras coisas, e nem sabem que Jesus está batendo à porta”. Nesta resposta há grande discernimento! Os crentes de Laodicéia viviam atarefados com seu comércio, com seus banquetes sociais, com suas riquezas introspectivas, e nem se quer ouviram Jesus bater e falar. O bater de Cristo, na vida, se verifica de muitas maneiras: no testemunho tranqüilo da oração, no sermão do pregador, na lição da escola dominical, na leitura da Palavra de Deus, mediante alguns tragédia, enfermidade, mediante abalo, mediante a razão, mediante a vitória, mediante a perda, mediante a alegria, mediante a felicidade, mediante a dor, mediante a morte – a última e contundente maneira de Deus falar! (cf. Hb 1.1).

21. “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono”.

I. “...no meu trono”. Até escritores pagãos e helenistas focalizaram essa idéia em seus escritos. O livro de I Enoque conta com certo número de referências similares a esta em foco. O Eleito, o Messias, assentar-se-á em seu trono de Glória no porvir. Isso também pode ser comparado aos trechos de (Cl 3.1; Hb 1.8; ver: Fl 2.9-11: Cristo está entronizado). E nas passagens de (Mt 19.28; 25.31 e Lc 22.29) vê-se que Cristo será entronizado por sua “Parousia” ou segunda vinda. As Escrituras nos dão entender que, presentemente, Jesus não se encontra assentado no seu trono. Passagens como (Ap 3.21 e 12.5), reafirmam essa tese: “...seu filho (Jesus) foi arrebatado para Deus e para o seu trono”. Por isso, essa promessa de Jesus, é escatológica: “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono (de Jesus); assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono (de Deus)”. O trono de Cristo é o trono de seu Pai, Davi, durante o Milênio, em Jerusalém, Ele ocupará este trono. (2 Sm 7.12, 13; Lc 1.32; At 15.14-18). Cristo não está atualmente nesse trono, mas à destra, segundo se diz, do Pai,no trono no céu, como o Grande Sumo Sacerdote de nossa confissão (cf. Mc 16.19; Hb 4.14).

22. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
I. “Quem tem ouvidos, ouça”. (O final). Pela última vez, no Apocalipse, temos, juntas, estas onze palavras: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”. “O ouvir dos meus ouvidos...é ouvir meditação a voz de Deus. (Cf. Jó 42.5 e Sl 85.8)”. Por cuja razão, nosso Senhor diz: “Vede pois como ouvis...” (Lc 8.18a).
1. “Às igrejas. A palavra “igreja” (gr. Ekklesia) nasceu pela primeira vez dos lábios de nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 16.18 e 18.17, duas vezes). Nesse sentido ocorre por 119 vezes no Novo Testamento (só três vezes nos Evangelhos: Mt 16.18 e 18.17). Nessas 119 vezes em que o termo aparece, 109 vezes, surge no texto bíblico como igreja local, e encontramos cerca de 10 vezes no Novo Testamento a palavra Igreja com o sentido Universal. “Nestes primeiros capítulos (isto é, 1, 2 e 3) do Apocalipse encontramos a palavra “igreja” (singular) ou “igrejas” (plural) 19 vezes (cf. 1.11, 20; 2.1, 7, 8, 11, 12, 17, 18, 23, 29; 3.1, 6, 7, 13, 14, 22, etc), mas agora, no presente versículo, ela desaparece, e só reaparecerá, no capítulo 22.16. Durante o tempo da Grande Tribulação, a Igreja não estará na terra e, sim, com Cristo na recâmara celestial (cf. Ct 2.17; Ap 3.10).


 Apocalipse
Versículo por Versículo

Severino Pedro da Silva

SEXTA CARTA: À IGREJA DE FILADÉLFIA



7. “E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre”.

I. “...Ao anjo da igreja”. Nada se sabe de certo sobre a biografia desse “anjo” (pastor), a não ser aquilo que é depreendido do texto em foco. Pelos textos e contextos que seguem a vida de Paulo, podíamos pensar num dos companheiros deste Apóstolo (Silas?): A posição geográfica não ajuda nesta interpretação; porém, na posição geográfica concentrada, favorece ao “amado Gaio”: terá sido ele? (2 Jo v.1, 7, 8).
1. FILADÉLFIA. O nome significa “amor fraternal”, estando aqui neste apelativo o sétimo e último uso desse termo, no Novo Testamento (cf. Rm 14.10; 1Ts 4.9; Hb 13.1, 22 e 2Pd 1.7: sete último por duas vezes). Situação Geográfica: Filadélfia era uma cidade da província romana da Ásia Menor. Em 150 a.C. Atilo II, Filadelfo fundou, no vale Cógamo, no sopé do Monte Tmolo, mas ou menos 122 quilômetros de Esmirna, a cidade de Filadélfia (amor fraternal) em homenagem a seu irmão Eumênes II, que o precedeu no trono, afim de assinalar a grande amizade que os ligava”. Há um fato notável sobre essa igreja, até em sua posição geográfica: observemos no ponto seguinte:
2. A estrada, que de Éfeso ia para leste, tinha uma concorrente, aquela que, vindo do porto de Esmirna, passava por Filadélfia, e, através da Frigia, dirigia-se para o grande planalto Central. Filadélfia, se observarmos bem, ficava na rota da estrada do correio imperial que vinha de Roma e atravessava o porto de Trôade, seguindo para Pérgamo, Sardes, Antioquia (capital da Psídia), depois de atravessar outras regiões, essa via alcançava a Antioquia (capital da Síria), e finalmente, costeando, alcançava Jerusalém. Eis uma das razoes porque o Senhor disse: “Eis que diante de ti pus uma porta aberta” (v. 8). Em todas as carta dirigidas as sete igreja da Ásia Menor, o Senhor faz uma pequena apresentação de SI mesmo e depois fala. Na igreja de Filadélfia Ele se apresenta como “O Santo”. O Filho de Deus se identifica assim com a natureza do Pai, que é Santo no sentido tríplice: (Cf. Is 6.3). A seguir, vem aquele que é “verdadeiro” (2Cr 15.3; Jó 17.31); Depois, vem o Filho que é “Fiel e Verdadeiro” (Ap 19.11). “Ele tem a chave de Davi”, “que abre” (presente) “e ninguém fecha” (futuro) “e fecha” (presente) “e ninguém abre”. Agora verbo presente, ao invés do futuro, para expressar a certeza da irrevogabilidade: “E ninguém abre”. Ninguém mesmo!”.

8. “Eu sei as tuas obras: eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar: tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome”.

I. “...Uma porta aberta”. Literalmente falando, “a porta aberta diante” da igreja de Filadélfia, aponto para sua posição geográfica na rota que ligava Jerusalém a capital do império, Roma. Profeticamente, porém refere-se à era missionária da Igreja, que começou nos fins do século XVIII e que chega até nossos próprios dias. “John Gil, escreveu pouco antes do começo dessa era, considerando a sua própria época como era da igreja de Sardes. Predisse ele que a era da igreja de Filadélfia seria uma espécie de reino espiritual de Cristo, com a renovação do amor e do evangelismo. Por isso, conjeturou ele: “Essa porta aberta talvez ofereça uma oportunidade incomum para a pregação do evangelho; uma grande liberdade de seus pregadores e grande atenção por parte dos ouvintes, cujos corações serão abertos para observar, receber e abraçar ao evangelho; além de grande colheita de almas para Cristo e suas igrejas”. O poder espiritual que essa igreja, era fraco, em comparação com Pentecoste. O Senhor, entretanto, em nada os condenou. Mostrou,porém, que o segredo de guardar a sua palavra, era o amor: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra...” (Jo 14.23).
1. “Todos os viajantes vindos de Roma e todos os de Esmirna que se dirigiam ao coração da Ásia Menor Apocalíptica passavam em Filadélfia. A passagem quase obrigatória desses viajantes por Filadélfia representava, para a igreja, uma “porta aberta diante de SI”, para evangelização e testemunho. Por ela, podiam ser alcançados até viajantes de longínquas regiões e cidades...”.

9. “Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem: eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo”.

I. “...Sinagoga de Satanás”. A presente expressão, ocorre aqui e em (2.9): nas igrejas de Esmirna e Filadélfia respectivamente. E basta confrontar essas igrejas a luz do contexto e verificar que, são as únicas no Apocalipse que não receberam: repreensão do Senhor Jesus.
1. O vocábulo “sinagoga” só ocorre uma vez no AT (Sl 74.8 LXX), onde aparece como tradução de “mô’~edh”. No Novo Testamento o termo grego “synagog~e” é usado cerca de cinqüenta e seis vezes. Porém, sempre com sentido literal (Lc 4.16, 20, 28, 33; 7.5 e 8). No livro de Atos dos Apóstolos há muitas referências ali sobre “sinagogas”. As sinagogas tiveram sua origem durante o cativeiro de Israel no império babilônico. Pensa-se que nos dias de Jesus na terra havia mais de 500 sinagogas em Jerusalém. Nas igrejas de Esmirna e Filadélfia, os gnósticos tinham fundado duas sinagogas. No dizer dos tais gnósticos estas sinagogas eram o “lugar” do auge, de todo o saber (deles). Diante dos olhos divinos, elas foram e são classificadas: “de sinagogas de Satanás” (2.9 e 3.9). “Os chefes gnósticos, segundo se diz, degradavam a pessoa de Cristo e sua missão ; negavam também a possibilidade da encarnação do Verbo, Jesus, o filho eterno (fc. Jo 1.14); negavam a expiação pelo sangue de Cristo; tinham ainda um ponto de vista deísta relativamente a Deus; negavam o verdadeiro destino humano, ou seja, a participação final na natureza do Verbo (1 Jo 2.23). João, diz que, tais elementos são seguidores do Anticristo e, acrescenta: “qualquer” que negue o Filho ou a encarnação do Verbo, é mentiroso. Neste versículo, pelo menos, o termo usado em sentido lato e indefinido. “Qualquer” que negue a doutrina da encarnação do Verbo (humanidade) de Cristo tem a atitude do Anticristo. Os gnósticos, que se tinham deixado levar pela escravidão de Satanás, resolveram abandonar suas casas – e fundarem duas sinagogas na Ásia Menor: Uma Esmirna, e outra em Filadélfia.

10. “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”.

I. “...a hora da tentação”. A referência neste versículo sobre a “hora da tentação”, é um termo técnico para descrever o período sombrio da Grande Tribulação, que de um certo modo envolverá todo o mundo, e, na sua fase final, terá como alvo a cidade de Jerusalém e a terra Santa. As palavras: “eu te guardarei da hora da tentação” indicam que a Igreja não passará pela Grande Tribulação que perdurará sete anos. A Igreja desaparecerá silenciosamente antes, mediante o arrebatamento (1Ts 4.13-17). Depois, a Grande Tribulação virá, para “tentar” os que habitam na terra. Este “por à prova” é também traduzido por “experimentar” e por “tentar”; este último, como sinônimo de experimentar, pois “Ninguém, ao ser tentado, diga: Suo tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e ele mesmo a ninguém tenta”. Parece-nos mais aceitável o “por à prova”, porque a Tribulação virá não só como castigo especificamente, mas também para, através dele, levar os homens a tomar decisões espirituais (cf. Ap 11.13b). E todos, não resta a menor dúvida, se decidirão por Cristo ou pelo Anticristo, que sem dúvida, dominará o mundo dos ímpios. No texto em foco, foi prometida isenção da prova especial, a qual significa livramento da Grande Tribulação. A palavra (“da”) significa “para fora de” e em si traz a idéia de ser guardado da tribulação (não meramente conservado através dela, como alguns asseveram).

11. “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”.

I. “...para que ninguém tome a tua coroa”. Segundo os Anais da História grega, na Grécia antiga, em Olímpia, no Peloponeso, de quatro em quatro anos, se realizavam os jogos olímpicos desde o ano 776 a.C. Aos vencedores se outorgava uma coroa – a coroa da vitória – formada de folhas de louro entrelaçadas. Paulo se serve freqüentemente de figuras dessas competições, principalmente quando escrevendo a Timóteo, que, por ser filho de pai grego (At 16.1) e de conhecer a Grécia (At 17.15; 18.5) devia estar familiarizado com elas. Em (2Tm 2.5), lemos: “...se alguém milita, não é coroado se não militar legitimamente”. E ainda em (2Tm 4.7 e 8), diz: “Combati o bom combate, acabei a careira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”. Esta é uma mensagem de encorajamento e consolação aos fiéis, mas (também) é uma palavra de advertência aos hesitantes, aos quais é dito que se tornem constantes, e sempre abundantes na obra do Senhor que se tornem constantes, e sempre abundantes na obra do Senhor (cf. 1Co 15.58).

12. “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o novo nome”.

I. “...Coluna no Templo do meu Deus”. A Igreja do Senhor, já na presente era é a “Coluna e firmeza da verdade” (cf. 1Tm 3.15b), e o que ela representa na atualidade, será, sem dúvida alguma na eternidade. As duas colunas do Templo de Salomão postas no pórtico eram chamadas Jaquim, que significa “Ele estabelecerá”, e Boás, que significa “Nele há força”. As colunas são usadas como emblemas de força e durabilidade. “...Eis que te ponho hoje por cidade forte, e por coluna de ferro...” (cf. Jr 1.18). Claro está que “coluna no templo” é também uma figura de linguagem. Quando uma cidade sofre terremoto e cai, geralmente ficam em pé colunas de edifícios, porque a técnica de construção e os alicerces dessas colunas são reforçados. Filadélfia constatara isso várias vezes após terremotos sofridos. Daí a figura de expressão, aqui usada. Em realidade significa que os crentes de Filadélfia (e a Igreja Universal) haveriam de estar sempre na presença de Deus, pois Deus mesmo é o Templo da Jerusalém Celeste (cf. Ap 21.22).
1. O nome do meu Deus. Isso acontecerá para nos dar o direito de ser pronunciado ao mesmo tempo: “nosso Pai e nosso Deus”, pois nunca jamais durante sua missão terrena, Jesus é o Filho de Deus por Natureza; nós o somos por adoção (cf. Jo 1.12; Gl 4.5-7). Eis a razão da distinção feita por Jesus, em (Jo 20.17): “Meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”.

13. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.


I. “...Quem tem ouvidos, ouça”. A expressão da voz está no singular, mas a advertência para “todas” as igrejas (cf, 2.7, 11, 17, 29; 3.6, 13, e 22). Só não ouvem a “voz” divina os endurecidos (Hb 3.7); os tardios de coração. (Ver Is 6.10); os de olhos fechados (Rm 11.8), etc. Notemos que é o “...Espírito...” quem nos conclama a ouvir. A mensagem divina; as promessas são divinas; as advertências são divinas. Portanto, o imperativo é divino. “O Espírito Santo continua falando a todos os ouvidos abertos e a todos os corações bem dispostos, em todas essas admiráveis e solenes mensagens. Estaremos ouvindo, realmente?”. Lembremos da tão amável e solene mensagem do Mestre: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!” (Mt 13.43). Esses são os ouvidos espirituais. Aquele que afirma possuir qualquer “receptividade” espiritual, deve exercer tal capacidade, dando ouvidos às promessas e advertências dessas cartas, passando a agir de acordo com as mesmas, não desviando seus ouvidos da verdade (ver. 2Tm 4.4), etc.

Apocalipse
Versículo por Versículo

Severino Pedro da Silva

QUINTA CARTA: À IGREJA DE SARDES



1. “E AO ANJO da igreja que está em Sardes escreve: isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus, e as sete estrelas: Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto”.

I. “...Ao anjo da igreja”. Nada se sabe acerca desse anjo (pastor) da igreja de Sardes, exceto aquilo que poderia ser depreendido do presente texto. Pelo uso da expressão: “tens nome de que vives” dá a entender sua grande popularidade. A História Eclesiástica menciona um “anjo” muito famoso dessa igreja, mas sua estada ali se seu no século II, e não no primeiro; seu nome era Melito. Melito, o Bispo de Sardes, do século II d.C., é mencionado três vezes na “História Eclesiástica” de Eusébio. Melito escreveu uma apologia, dirigida ao imperador romano, em defesa da fé cristã. Ele foi um crente intenso, dotado de grande poder e autoridade na sua geração.
1. SARDES. O nome significa em grego “príncipe de gozo”. Situação Geográfica: encrava-se no pequeno Continente da Ásia Menor. Era essa a capital do antigo reino da Lídia. Originalmente Sardes fora uma fortaleza poderosa, mas Ciro, rei da Pérsia, derrotou esta cidade e outras das redondezas, no ano de (549 a. C.). Essa cidade passou às mãos de Antíoco, o Grande, “Ali, por ocasião em que essa carta estava sendo escrita, achava-se essa Igreja em uma situação espiritual extremamente melindrosa. O processo de declínio de seu pastor fora tão sutil que, na realidade, nem fora observado”. Dois gêneros de mortes estavam rondando este “anjo”: (a) a morte moral (b) a morte espiritual. (Cf. Gn 20.3 e Ef 2.1). Ele se encontrava duplamente morto (cf. Jd v. 12). A igreja é representada pelo seu pastor, mas também é repreendida por Cristo através do mesmo. Ela é repreendida por viver em situação contraditória: a vitalidade exterior disfarça morte espiritual interior. É uma situação de limite, da qual ela se recuperará mediante “uma lembrança” do que tem recebido e ouvido da parte do Senhor, que diz: “Lembra-te pois do que tens recebido e ouvido, e guarda-o!”.

2. “SÊ vigilante, e confirma os restantes, que estava para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus”.

I. “...confirma os restante”. Embora o pastor de Sardes estivesse sendo classificado como “mortos” a vista de Deus, esta dupla ordem de Jesus Cristo nos deixa entrever que ainda, na sua vontade, Ele tenta um derradeiro esforço para salvar o restante. Porém, a parte da pregação, deveria fazê-la o pastor. É óbvio, diz M. S. Novah que alguns havia na igreja que ainda tinham um pouco de vida espiritual. Daí Jesus haver dito: “...confirma os restantes, que estavam para morrer”. A recomendação de Cristo é urgente, e ordena livrar “os que estão destinados à morte”. A expressão “confirma” depreendida do texto em foco, não significa: confirma sua morte, mas, confirma sua fé (cf. At 14.22). O Dr. R. Norman observa que aquela igreja já não estava inteiramente destituída do bem, da vida e da esperança. O que era bom precisava ser melhorado. Ela tinha que ouvi o grito: “Torna-te desperto, e põe-te a vigiar” (Vincent, in loc). Essa é uma tradução literal do que diz o grego (Ef 5.14). O sono deles era um sono letal, a menos que se despertassem.

3. “Lembra-te pois do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei”.

I. “...Virei sobre ti como um ladrão”. O leitor deve observar com atenção a frase, “como” antecipando as palavras “um ladrão”.
1. O Dr. Russell Norman Champrin, Ph, D. Grande expoente do Apocalipse, diz que essa frase tem as seguintes significações: (a) De maneira inesperada; (b) Como um laço tristonho para os que não estiverem preparados; (c) Sem nenhuma oportunidade de aviso prévio. As Escrituras que falam da Vinda (Parousia) de Cristo, como um ladrão, são: *Mt 24.53; Lc 12.38; 1Ts 5.2, 4; Ap 3.3; 16.15). A expressão: “como um ladrão de noite” em (2Pd 3.10), não se aplica à segunda Vinda de Cristo, mas ao “dia do Juízo Final”, e expurgação de céus e terra. A palavra “ladrão”, com esse sentido, no grego hodierno é Kleptós, indica alguém que normalmente não rouba com violência, mas que obtém sucesso com suas habilidades imprevisíveis, em contraste com outro vocábulo, “Lestes”, que significa “assaltante”, aquele que se apossa do alheio por meio da violência. (As próprias autoridades judiciais distinguem, entre o furto e o roubo). Segundo um exegeta, a frase empregada neste versículo, é “Hleptós”, e indica uma forma “invisível”, “inesperada”, de alguém, em direção de algo precioso, como por exemplo: “um tesouro” (Israel). Sl 135.4: “uma pérola” (a Igreja). Mt 13.44-46 e ss). Esse deva ser o significado do pensamento aqui e nos textos que se seguem.

4. “Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram seus vestidos, e comigo andarão de branco; porquanto são dignos disso”.

I. “...e comigo andarão de branco”. O branco é a cor da retidão, da pureza e inocência. Os sacerdotes acusados, mas justificados diante do Sinédrio {O Sinédrio. É o vocábulo grego synedrion (do qual o termo hebraico sanhedrin é uma palavra emprestada). No NT o termo se refere à suprema corte judaica composta de 70 membros e um presidente: O Sumo Sacerdote} eram vestidos com um manto branco como sinal de sua inocência. (Ver o que diz Judas V.23: “...aborrecendo até a roupa manchada da carne”). Esse “andar” referido no presente texto, é presente e escatológico, isto é, em companhia de Cristo em todos os tempos (cf. Ec 9.8). Durante toda História de Israel, Deus preservou para Sl um “remanescente”, e durante toda História da Igreja aqui na terra, o mesmo acontecerá. “O remanescente de Israel não cometerá iniqüidade, nem proferirá mentira, e na sua boa não se achará língua enganosa; Porque serão apascentados, deitar-se-ão, e não haverá quem os espante” (Sf 3.13). Verdade é que nem todos em Israel e na Igreja, andariam de branco com Jesus, mas “alguns”. É esta reserva moral que durante todos os períodos de apostasia é louvado pelo Senhor (cf. 1Rs 19.18; Is 1.9; Ez capítulo 9; Rm capítulo 11). Àqueles que não “contaminaram seus vestidos”, Jesus os chamou de “dignos”. Este elogio parece único nas sete Igrejas da Ásia Menor; e só foi dito às pessoas fiéis da igreja de Sardes, pois todo o restante dela estava morto.
5. “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhum riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos”.

I. “...Livro da Vida”. Referências bíblicas ao “Livro da Vida” se acham em (Êx 32.33; Sl 69.28; Dn 12.1; Fl 4.3. Também se pode comparar isso com trechos como Lucas 10.20 e Hebreus 12.23). Passagens similares sobre o mesmo assunto podem ser vistas em (Dn 7.10; Ap 13.8 e 20.12, 15). Há referências nos escritos pagãos às idéias contidas neste versículo. Dentro da astrologia babilônica, poderíamos considerar o próprio Zodíaco como o livro ou tabletes sobre os quais eram escritos a vontade divina e o destino humano.
1. E confessarei o seu nome. A presente passagem lembra o que disse Jesus a seus discípulos: “Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mt 10.32). Isto é, “testificar que pertence a Mim”. No final das contas, o discipulado secreto é impossível, pois depois da Morte de Cristo, não é mais aceito essa maneira de proceder (Jo 19.38). No contexto de Mateus 10.34 e 39, esta confissão pública de fé em Cristo acarreta divisões e conflitos, primeiramente na vida da família, depois do mundo.

6. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.


I. “...Quem tem ouvidos”. A presente recomendação da parte de Cristo é feita também nos Evangelhos (Mateus e Marcos), sobre a forma: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mt 13.9, 43 e Mc 4.23, etc). No texto em foco, a recomendação é feita a todas as igrejas, e se repete nos capítulos 2 e 3 por sete vezes (2.7, 11, 17, 29; 3.6, 13, 22). Os “ouvidos” de um homem são a sua sensibilidade espiritual, e o seu “ouvir” é o uso dos meios espirituais que produzem mudanças em seu íntimo, conforme se vê exigido nas advertências e promessas anteriores. A expressão, no dizer de Vincent: “...é usada sempre acerca de verdades radicais, grandes princípios básicos e grandes promessas”. As sete cartas deveriam ser “lidas” nas igrejas (Ap 1.3). Poucas pessoas poderiam “lê-las” pessoalmente, mas todos poderiam “ouvir” a leitura dessas instruções. “O ouvido que ouve! Um dos mais solenes estudos da Bíblia inteira é aquele concernente ao “ouvido que ouve” (Alford, in loc).

QUARTA CARTA: A IGREJA DE TIATIRA


18. “E ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem seus olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao latão reluzente”.

I. “...Ao anjo da igreja”. Não temos notícia acurada sobre quem foi este “anjo” (pastor), a não ser aquilo que se depreende do presente texto. Lídia, vendedora de púrpura, e convertida por Paulo, era dessa cidade (At 16.14). Da conversão de Lídia, que se deu provavelmente no ano 53 d. C. à carta dedicada ao anjo da “igreja de Tiatira”: em 96 d. C., corre um lapso de tempo de 33 anos. Podemos deduzir, ainda que improvável terem sido Lídia e seu esposo, os grandes instrumentos usados por Deus, par o início de formação daquela igreja: talvez um de seus filhos seja o “anjo” (pastor) do texto em foco (cf. At 16.15).
1. TIATIRA. O nome significa “Sacrifício de trabalho”. Situação Geográfica: A cidade de Tiatira se encrava no pequeno Continente da Ásia Menor. “No fértil vale do rio Lico, acerca de 59 quilômetros a sudeste de Pérgamo, na estrada que ia para Sardes, ficava a pequena mas crescente e rica Tiatira, colônia macedônica, fundada por Alexandre Magno, depois da destruição do Império Persa. Na literatura secular, são encontradas muitas alusões ao comércio de tecidos de púrpura manufaturados em Tiatira, dos quais Lídia era vendedora. Esta carta, à então próspera igreja, foi mais longa em conteúdo de todas as cartas do Apocalipse. Maior, porém, é a mensagem nela contida e também das mais severas”.

19. “Eu conheço as tuas obras, e a tua caridade, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras”.

I. “...As tuas obras”. Quando à conduta das igrejas, Cristo primeiro menciona Aquilo que pode elogiar. “Sei quais são as tuas obras” – diz Ele. Tais obras são mencionadas onze vezes neste livro. O leitor deve observar o contraste entre as “obras” da igreja de Éfeso (2.5), e as “obras” da igreja de Tiatira: enquanto naquela as “últimas obras eram menores que as primeiras”, nesta pelo contrário; as “últimas obras são mais do que as primeiras”. O substantivo grego, que nossas versões do Novo Testamento traduzem por “obras”, com maior precisão que a palavra portuguesa comporta duas acepções: o resultado de uma atividade (sentido habitual do termo em português); e também: a atividade em si mesma (significado que, aliás, sob a influência do latim teológico, passou para o português), limitando-se às atividades morais. No presente texto: são obras de caridade feitas em favor de Cristo, durante essa dispensação da graça (Ap 22.12).
1. A tua caridade. (Amor). O Senhor Jesus também louvou esta igreja (usamos aqui uma metonímia: figura que consiste em tomar a parte pelo todo e vice-versa; o geral pelo particular e o particular pelo geral) pelo seu amor. A palavra “amor” encontra-se em toda a extensão da Bíblia, que descreve o seu caráter multiforme:
(a) “Há o amor de Deus, isto é, o amor de Deus tem dispensado pelos homens. Essa é a fonte de todo amor, o que é comentado em (Jo 3.16 e ss), como poemas ilustrativos, relacionando-se como um supremo sacrifício.
(b) Há o amor de Cristo cuja natureza é igual a do amor de Deus, e que comentado em (2Co 5.14). Trata-se de uma força que nos constrange, que também nos leva a amar e a servir ao próximo, em honra ao Senhor. Esse foi o amor que motivou a expiação e a missão terrena, em geral, de Cristo.
(c) Há o amor do homem a Deus e a Jesus Cristo. Essa modalidade pode ser expressa diretamente, mediante a subida mística da alma, em fazer tanto o bem a Deus como ao próximo.
(d) Há o amor próprio (cf. Mt 22.39 e Ef 5.29). Trata-se de uma condição patológica em que um indivíduo tudo faz ou realiza só em torno de si mesmo, visando ao seu próprio conforto. Ele torna-se por natureza um “amante de si mesmo” (2Tm 3.2 e ss).
(e) Há também o amor de um ser humano por outro, ou pela humanidade. É a transferência dos cuidados que temos por nós mesmos para nossos semelhantes”.

20. “Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa. Ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria”.

I. “...Jezabel”. a palavra “Jezabel” significa: “Montão de lixo”. Na opinião de alguns eruditos: “Casta”. Aparece pela primeira vez nas Escrituras como pessoal de uma princesa. Ela tinha crescido em Tiro, na cidade portuária fenícia. Seu pai, rei Etbaal, era também sacerdote de Astarote e sacrificava a Baal (1 RS 16.31) e, por conseguinte, tornou-se esposa de Acabe, rei de Israel. Esta ferina rainha tombou morta no vale de Armagedom (2 Rs 9.15, 16, 30, 37).
1. Mulher que se diz profetisa. Há muitas opiniões a respeito da “audaciosa mulher” da igreja de Tiatira; alguns até já defenderam tratar-se de uma “doutrina”, ou mesmo de uma “religião” e não de uma pessoa. A Jezabel do Antigo Testamento, é citada como o protótipo de pecado. A Jezabel do presente texto, trata-se de uma pessoa e não apenas uma figura ou personificação do mal. A passagem fala claramente de uma pessoa, pelo uso do pronome (“ela”). V.22. “No inglês, o pronome é her” usado somente para pessoa. Deve-se ter isto em mente para compreensão do significado do pensamento, pois em português, “ela” é usado tanto para pessoas, animais ou coisas”. Em alguns manuscritos antigos é acrescentado a palavra grega “SOU” (isto é tua), antes da palavra “mulher” ficando assim o texto na sua íntegra: “Mas tenho contra ti (pastor) que toleras Jezabel, (tua mulher?) que se diz profetisa”. O Dr. Carroll, op. Cit., vol. Sobre o Apocalipse, aceita esta posição: “Tratava-se da mulher do pastor, por parecer no original a palavra “y u v n”, que pode significar esposa; isto se dá muitas vezes em o Novo Testamento”. Não sabemos se isso é o verdadeiro sentido do presente texto, mas pode ser (cf. 1 Rs 21.25): As Escrituras são proféticas e se combinam entre si em cada detalhe.

21. “E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu”.

I. “...da sua prostituição”. Tratava-se tanto de prática imorais pessoais, como parte do culto da seita gnóstica. Era algo tanto espiritual como físico. No campo histórico da Igreja da Idade Média teve grande semelhança com a igreja de Tiatira. “Foi nesta época que uma cópia do paganismo de Tiatira foi introduzido na igreja e sobre tudo, no campo comercial, sob a forma de imagens, em profusão, surgido por uma forte representação feminina pela introdução do culto de Maria, a mariolatria e com o desvirtuamento do merecido respeito e admiração à pessoa da virtuosa mãe de Jesus. Maria passou a ser co-redentora. Cristo deixou, também, de ser único Mediador entre Deus e os homens”, no pensamento deles. Outrossim, aquela gente “resolveu” na sua vontade que não se arrependeria. O grego subentende o exercício deliberado da vontade “Cintra” o arrependimento, e não a seu favor.

22. “Eis que porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras”.

I. “Eis que a porei numa cama”. O comentador Charles declara que as expressões: “cama e tribulação” nesta passagem expressam a mesma idéia. Além disso, supõe que porei numa cama equivale no grego hodierno a “infligir uma enfermidade” (cf. Êx 21.18), e que aquela primeira expressão é o hebraico especificado por trás do grego. Jezabel teve como paga de seu engano e prostituição “um leito de pestilência”. O resultado de tudo isso foi a morte (Rm 6.23). A ameaça de Deus é terrível, porém corresponde à enormidade do pecado de Jezabel e seus adeptos. Alguns teólogos acham que, a expressão “...ferirei de morte” a seus filhos vista no versículo 23, quer dizer: “ferirei da segunda morte: o lago de fogo”. Não eram filhos de Deus mas da semente iníqua, gerada do engano e como tais, estavam candidatos tanto a primeira como a segunda. Seja como for, o pecado tem consigo a pena aqui e na eternidade!.

23. “E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras.”

I. “...os rins e os corações. O Salmista Davi cerca de 1.000 a.C. orava da seguinte forma: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração...” (cf. sl 139.23a), e o Apóstolo Paulo declara: “...aquele que examina os corações sabe...” (Rm 8.27).
1. Analisemos dois pontos focais no presente versículo: (a) Os rins (b) Os corações:
(aa) Os rins. A palavra grega “nephros”, é traduzido por “rins” em nossas versões. Os hebreus e até escritores sagrados pensavam que os “rins” seriam a sede das emoções e dos afetos (Jr 12.2). No presente texto, denota também, uma sondagem cuidadosa, da idéia de seguir os passos, com a ação resultante, causada por aquilo que foi descoberto. Mui provavelmente, nela envolve a memória do que diz Jeremias 11.20 onde Deus é visto como aquilo que testa (determina a natureza verdadeira), o coração e a mente do seu povo. Numa figura de retórica, isso demonstra, que os juízos que se seguirão, pois, serão justos e completos, em nada falhos, porquanto repousam sobre total discernimento e informação.
(bb) Os corações. Quanto a isso, analisemos aqui, dois pontos de suma importância:
(aaa) Tanto as Escrituras, como a própria ciência, dizem que o coração é o centro de uma coisa. O vocábulo ocorre por 820 vezes na Bíblia. Vem de uma raiz hebraica: “l~ebh ou l~ebhabh”, sendo bem possível, que a raiz do termo hebraico, que é obscuro, signifique “centro”. O termo denota vários significado e aplicações: Às vezes é apenas um órgão físico do corpo humano. As referências ao órgão físico assim chamado são poucas e de modo algum especificadas. Dentre as mais claras é a de (1 Sm 25.37). “Pesa em média apenas 250 gramas e não é maior que o punho fechado de seu possuidor. Bate cem mil vezes por dia e, no espaço de uma vida, é capaz de bombear sangue suficiente para encher 13 milhões de barris. O homem ainda não criou uma máquina mais perfeita que o coração...
(bbb) No contexto teólogo, pode também significar a mente (Êx 35.35 e Dt 29.4). O Dr. Wheeler Robinson oferece a seguinte e ótima classificação dos vários sentidos em que podem ser usadas as palavras hebraicas “l~ebh e l~ebhãbn”. Ad. A: físico ou figurado (“meio”, 29 vezes). Dependendo do contexto que se depreende das Escrituras: Ad. B: Personalidade, vida íntima, ou caráter geral (257 vezes; exemplos: Êx 9.14 e 1Sm 16.7; comparado a Gn 20.5): Ad. c. Estados emotivos de consciência, encontrados em grande GAMA de variedade (166 vezes); intoxicação (1Sm 25.36); alegria ou tristeza (cf. Gn 42.28); amor (2Sm 14.1, etc): Ad. d: Atividades intelectual (204 vezes); atenção (Êx 7.23); entendimento (1Rs 3.9); habilidade técnica-sábio de coração (Êx 28.3): Ad. e: Volição ou propósito (195 vezes; 1Sm 2.35), sendo esses um dos empregos mais característicos do termo no Antigo Testamento. “Mente” é, talvez, o mais próximo tempo moderno daquilo que no uso bíblico é denominado “coração”. No presente texto do Apocalipse, o termo é usado para significar: “a natureza suprema do homem” (sinônimo de espírito ou da alma).

24. “Mas eu vos digo, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei”.
I. “...As profundezas de Satanás”. Os mestres gnósticos atribuíram à sua doutrina o caráter de “profundidade”, e a “mulher Jezabel” invocava para sua doutrina o mesmo sentido. De acordo com a expressão “profetisa” encontrada no versículo vigésimo deste capítulo, esta senhora, Jezabel, era portadora de uma “teomania aguda”: espécie de loucura, em que o doente se julga Deus ou por ele inspirado.
1. Na igreja de Tiatira existia dois grupos distintos: (a) Os cristãos verdadeiros; (b) Os que se gloriavam de conhecer “as profundezas de Satanás”. Paulo encontrou quatro grupos na igreja de Corinto. Porém é evidente que aqueles eram crentes em Jesus; o grupo de Jezabel não (cf. 1Co 1.12). Ad. a: Os legalistas: o herói deles era Pedro: Ad. b: Os intelectuais e filósofos: o herói deles era Apolo. Ad. c: Os liberais: o herói deles era Paulo. Ad. d: Os cristãos: o herói deles era Cristo (1Co 1.12; 3.4 e ss). Os diversos grupos mencionados neste versículo, podem ser também visto assim: Ad. aa: O partido judaizante (os seguidores de Pedro). Ad. bb: O partido dos intelectuais: (os seguidores de Apolo). Ad. cc: O partido da liberdade (os seguidores de Paulo). Ad. dd: O partido dos exclusivistas (aqueles que diziam: “sou de Cristo”).

25. “Mas o que tendes retende-o até que eu venha”.

I. “...O que tendes retende-o”. esta expressão “retende-o” vem do verbo “reter”, e tem no original, o sentido de “guardar”, “conservar”, etc. Deve ser aplicado no sentido de “guardar” aquilo que é precioso como: A palavra de Deus. Sl 119.11; Os mandamentos da lei divina. Mt. 19.17; A fé. 2 Tm 4.8, etc. Note muito bem, este versículo, voltemos a ele. É o que diz a senhora M. S. Novah: Deste versículo, aparentemente sem comentário podemos dizer que nos prova a veracidade de que as cartas não foram escritas somente para os crentes do tempo de João, o Apóstolo; pois aqueles fiéis, há muito, que já morreram e o versículo 25 diz: “O que tendes retende-o ATÉ que eu venha”. É o divino convite. É o apelo de Cristo. As últimas cartas do Apocalipse (dentre um total de sete), todas possuem características da Igreja cristã dos “últimos tempos”; portanto, todas elas, de alguma maneira, lançam olhos para o fim de nossa era, ou seja, para a vinda de Jesus (1 Ts 4.13-17).

26. “E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações”.

I. “...poder sobre as nações”. O texto em foco, lembra-nos o Salmo segundo onde lemos: “Pede-me, e eu darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão” (v. 8). Essa é uma promessa relativa ao Milênio, estando associada a Ap 2.4, 6. O reino que foi rejeitado pelos judeus, ainda será realizado e será inaugurado quando da segunda vinda (parousia) de Cristo. A promessa é que o crente, terá posição de poder naquele reino: os mansos herdarão a terra. As “obras” mencionadas neste versículo são obras de Cristo e não as nossas, porquanto, o crente, as cumpre em seu nome, mediante o impulso dado por Ele. As “obras” de Cristo fazem contraste com as “obras” de Jezabel, aludidas no versículo 22 deste capítulo. As dela, são repugnantes; as de Cristo, são desejadas!.

27. “E com vara de ferro as regerá: e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai”.

I. “...e serão quebradas como vasos...”. O presente versículo fala do governo milenial de Cristo sobre a terra (Ap 20.1 e ss), quando as nações serão “regidas com vara de ferro”. Isso não quer dizer um reino ou governo de extrema “dureza”, mas, sim, um método inquebrantável (Sl 2.8-9; Ap 12.5). Naturalmente, o texto não limita esse governo aos mártires, embora, em outros contextos, estejam eles especialmente em mira, por terem sido mortos pelo Anticristo, cuja vitória será total e completamente revertida. O fato de os mártires retornarem para governar a terra onde foram tratados com o opróbrio, é a reversão dos crimes do Anticristo, o homem do pecado (2Ts 2.3; Ap 20.4). A interpretação geral, neste versículo, é que segundo as promessas de Cristo, que este poder “sobre as nações” será extensivo aos mártires e aos santos de todos os tempos: a garantia é para “o que vencer” (cf. 2.7, 11, 17, 26; 3.5, 12, 21).

28. “E dar-lhe-ei a estrela da manhã”.

I. ‘...a estrela da manhã”. Para os ímpios: Jesus é a “luz do mundo” (Jo 1.9; 8.12); para Israel: Ele é “O Sol da Justiça” (Ml 4.2); para sua Igreja: Ele é “a resplandecente Estrela da Manhã” (Ap 22.16). Seja como for, Cristo é “tudo em todos”. Este será um títulos que trará o Filho de Deus no dia de sua vinda para o arrebatamento. Em Ap 22.16, o próprio Cristo é identificado como “A resplandecente estrela da manhã”. Não pode haver dúvida razoável, pois, que Ele também é aquela figura central. Para os antigos povos, a estrela da tarde (ou vespertina) simbolizava a morte, mas a estrela da manhã simbolizava a vida que é o próprio Cristo. Ao vencedor, Jesus promete dar-lhe a estrela da manhã. Isto é, Ele mesmo! Nos Evangelhos ele deu-se por todos os pecadores. Agora Ele promete dar-se novamente, porém apenas ao vencedor!. Essas palavras de Cristo, têm seu fundo histórico nas palavras de Dn 12.3, onde diz que os próprios justos ...refulgirão como as estrelas...”. O sentido é que os crentes entrarão na glória celeste e serão glorificados com o resplendor do mundo vindouro de Deus (1 Jo 3.2, etc).

29. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.


I.              “...o que o Espírito diz...”. O leitor deve observar que essa é uma expressão que figura em todas as cartas do Apocalipse, chamando a atenção dos leitores para a solene necessidade de darem atenção às palavras inseridas neste livro. “A mulher Jezabel e seus filhos prosseguirão tal como são, mas o “resto”, o remanescente, ouvirá” (newll). Cristo, e que seja ela uma influência poderosa o nosso coração e sobre a nossa vida”. Possuímos discernimento “espiritual” e a sensibilidade necessária para “dar ouvidos” ao que foi dito? “...se ouvirdes hoje a sua voz (como diz o Espírito Santo), não endureçais os vossos corações” (Hb 3.7-8). Esses são os “ouvidos” de que precisamos. Se os temos, então, que os usemos!!!.

Apocalipse
Versículo por Versículo

Severino Pedro da Silva

TERCEIRA CARTA: À IGREJA DE PÉRGAMO




12. “E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios”.

I. “...Ao anjo da igreja”. Não podemos determinar e, nem ainda há um pequeno vestígio no Novo Testamento, sobre quem era o “anjo” (pastor) da igreja de Pérgamo nos dias em que esta carta estava sendo enviada, visto que, o Novo Testamento não cita nominalmente a igreja de Pérgamo, há não ser aquilo que é depreendido do texto em foco. Porém, pelas evidências internas e externas apresentadas pelos versículos que descrevem a posição desta igreja; nos faz pensar, em um cristão pertencente a Igreja Primitiva. Foi ele, sem dúvida, o substituto de “Antipas”, a fiel testemunha de Cristo (v.13). Terá sido Demétrio? (3 Epístola de João v. 12).
1. PÉRGAMO. O nome significa “alto” ou “elevado”. Situação Geográfica: no pequeno Continente da Ásia Menor. O nome “Pérgamo” estava relacionado a “purgo”, isto é, “torre” ou “castelo”. Pérgamo, como observa o W. Gesenius: Foi a “cidadela” de Tróia, e por tal razão tinha este nome. Geograficamente, ocupava importante posição, próxima do extremo marítimo do lago Vale do Rio Caico. Para os intérpretes históricos, a palavra “Pérgamo” leva outro sentido, isto é, invés de “torre” ou “catelho”, traduzem a palavra por “casada”. Historicamente, nos fins do primeiro, segundo e terceiro século, especialmente mediante o gnostissismo libertino, e, profeticamente, na época de Constantino, houve uma espécie de “casamento” entre a igreja e o estado. Sua suposta significação de “casada”: segundo se diz, deriva-se disso.
2. A espada aguda. Para o ambiente carregado e adverso de Pérgamo, este é o traço do auto-retrato de Cristo: “aquele que tem a espada aguda de dois fios”. No original, o vocábulo “espada”, neste versículo, refere-se a um tipo especial: pesada e longa, usada pelos romanos (porque não queriam apenas ferir, queriam matar). Esta espada do versículo em foco é a mesma que vimos no versículo 16 do primeiro capítulo deste livro. A diferença é que, aqui, o artigo definido (“a”) determinado “a espada”, reforça a passagem. Espada na simbologia profética das Escrituras Sagradas, representa castigo ou guerra. Ela distingue vencido de vencedores.

13. “Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita”.

I. “...O trono de Satanás”. No Apocalipse fala-se muito a respeito dele. As diversas denominações diabo, caluniador (Ap 2.10; 12.9; 12; 20.2, 10), Satanás, adversário (Ap 2.9, 13; 24; 3.9; 20.2, 7), definem-no em sua funcionalidade negativa, como: antiga serpente (Ap 12.9; 20.2), acusador de nossos irmãos (Ap 12.10). No presente texto, fala-se do seu “trono”. Isto é, lugar onde Satanás exerce autoridade, como se fora rei. “A palavra “trono” (no grego hodierno, “thronos”), é usado no Novo Testamento como sentido de “trono real” (Lc 1.32, 52), ou com o sentido de “tribunal judicial” (cf. Mt 19.28 e Lc 22.30). Também há alusão aos “tronos” de elevados poderes angelicais, ou aos governantes humanos”. A possível referência atribuída ao “trono de Satanás” esta passagem, pode ser (conforme alguns comentaristas) a COLUNA que havia por trás da cidade, com 300 metros de altura, na qual havia muitos templos e altares dedicados com exclusividade à idolatria. Essa colina podia ser um monte ou o “trono de Satanás”, em contraste com o “Monte de Deus” (cf. Is 14.13 e Ez 28.14, 16).
1. Existe outra possível interpretação sobre o “trono de Satanás”. Vejamos a seguir: “A invasão da cidade de Pérgamo, é atribuída ao monarca Eumenes II (197 d. C.). Foi esse rei (segundo Plínio) que criou biblioteca (em sentido técnico: pérgamo, deriva-se de pergaminho) que chegou a atingir 200 000 volumes, e quem libertou Pérgamo dos invasores bárbaros. Para comemorar, ergueu em honra a Zeus o “altar monumental” com 34 por 37 metros, cujas as fundações em ruínas, ainda podem ser vistas hoje. Esse altar pode ser “o trono de Satanás” do presente versículo.”
2. Ainda nos dias de Antipas. Nada se sabe de certo acerca desse personagem, exceto aquilo que poderia ser depreendido do texto em foco. As Escrituras não entram em detalhes sobre a biografia desta testemunha do Senhor na cidade de Pérgamo. A palavra grega para “testemunha” no dizer de G. Ladd é martys, que mais tarde ficou com a conotação de mártir. Talvez neste contexto já tenha este significado. Em 17.6 a mesma palavra é traduzida às vezes por “os mártires de Jesus’. O testemunho mais eficiente do cristão é ser fiel ao seu Senhor até à morte e ao martírio. Antipas foi uma delas!. Para aqueles que interpretam o livro do Apocalipse do ponto de vista histórico, acham que o antropônimo “Antipas”, no grego hodierno “Anti-pas”. Tratava-se da forma contraída de “Antipater”, que poderia ser traduzido à forma “Anti-papa”. Assim, o seu nome pode ter sido profético, e significa: “Aquele que se opõe ao Papa”. Esta linha de pensamento aceita que as letras que formam a palavra “Antipas” tenham esse sentido. Para nós, este ponto de vista, não combina com a tese e argumento principal, razão por que Antipas foi morto antes do ano (96 d. C.), e o sistema papal só veio a existir séculos depois. Aceitamos ter sido Antipas um homem de origem Iduméria. Este servo de Deus, uma vez convertido ao cristianismo em Jerusalém, sentido a chamada de Deus, e em razão de ser conhecido pessoalmente do Apóstolo João, foi servir como bispo na cidade de Pérgamo. Existiam naquela igreja, segundo o texto divino, duas falsas doutrinas: (a) À de Balaão; (b) À dos nicolaítas. Antipas como sendo uma testemunha ousou desafiar sozinho e selar seu testemunho com seu próprio sangue opondo-se a este “sistema nocivo”. Semeão Metafrastes, diz que Antipas, o bispo de Pérgamo, foi colocado dentro de um boi feito de bronze, e a seguir foi aquecido ao rubro. Seu corpo foi literalmente, cozido, na chama abrasadora.

14. “Mas umas poucas de coisas tenho contra ti; porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, par que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem”.

I. “...A doutrina de Balaão”. Na Epístola de Judas (versículo 11): há referência a três homens caídos do Antigo Testamento: “Caim... Balaão... e Core” (cf. Gênesis capítulos 16, 22, 23, 24). Nos dias neotestamentários seus nomes são tomados como figuras expressivas dos falsos ensinadores que, segundo se diz, entrariam no “seio” da Igreja Cristã (cf. 2 Pd 2.15). No texto em foco, é-nos apresentado: “a doutrina de Balaão”.
1. As características dos seguidores desta “doutrina” são: (a) Olho mau: malícia. (b) Espírito orgulhoso: egoísmo. (c) Alma sensual: imoralidade. Em Apocalipse 2.14 encontramos a expressão “doutrina de Balaão”. Por conseguinte, existem; (aa) O caminho de Balaão. 2Pd 2.15. (bb) O erro de Balaão. 2Pd 2.15a. E, (ccc) O prêmio de Balaão. Judas v. 11. A doutrina de Balaão, que também se transformou no seu erro, era que, raciocinando segundo a moralidade natural, e assim vendo erro em Israel, ele supôs que Deus, justo teria de amaldiçoá-lo. Era cego para com a moralidade da cruz de Cristo, mediante a qual Deus mantém e reforça a autoridade, de tal modo que vem ser justo e o justificador do pecador que olha para Cristo. No tocante, ao “caminho de Balaão”, diz Scofield: “Balaão (Nm capítulo 22 a 24), foi o típico e profeta de aluguel, ansioso apenas por mercadejar com o dom de Deus. Este é “o caminho de Balaão” (2 Pd 2.15)”. No tocante a “doutrina de Balaão”, continua Dr. C. I. Scofield: “A doutrina de Balaão” era o seu ensino a Balaque, rei dos moabitas a corromper o povo (israelita), o qual não podia ser maldito (cf. Nm 22.5; 23.8; 31.16), tentando-se a se casarem com mulheres moabitas, contaminando assim seu estado de separação e abandonando seu caráter de peregrinos. É tal união entre a Igreja e o mundo que se torna em falta de castidade espiritual (cf. Tg 4.4), e o resultado de tudo isso é a Igreja ficar contaminada”.
2. As características dos seguidores de Balaão, são: Todos aquele que a muitos torna virtuosos, o pecado não vem por seu intermédio; e todo aquele que leva muitos a pecar, não lhes dá oportunidade de arrependimento. Todo aquele que tem três coisas é um dos discípulos de Balaão, o ímpio. Se alguém tem olho bom, alma humilde, espírito manso, então é discípulo de Abraão, nosso Pai. Mas se alguém tem olho mau, uma alma jactanciosa e um espírito altivo, é dos discípulos de Balaão, seu Pai. E todo aquele que as três coisas possue é um discípulo de Balaão, o ímpio. Qual é a diferença; (pergunta Pirke Abotk) entre os discípulos de Abraão e os discípulos de Balaão? Os discípulos de Balaão herdarão o que ele herdou – a morte, o preço de seu salário (Rm 6.23), e os discípulos de Abraão herdarão o que ele herdou – o preço do sangue de Cristo, a vida eterna. Balaão “amou o prêmio da injustiça” (2 Jd 2.15; Jd v.11), e teve como recompensa o mesmo. Os embaixadores moabitas essa recompensa nas mãos, para dá-la. Balaão tombou morto entre aqueles que o honraram. Esta é a lei da compensação (Gl 6.7)”.
3. A se prostituíssem. No grego moderno: “ponêro”, o que dificulta a ação de ser (haplous) “perfeito”. Balaão não só foi profeta mercadejante e mercenário; mas além de tudo lançou dois “tropeços” mortais contra o povo de Deus (cf. v. 14). Um desses tropeços consistia em seu mau ‘caminho” (o da rebelião). Cf. Nm 22.32. O próprio Deus disse dele o que segue: “...o teu caminho é perverso diante de mim”. O segundo tropeço por Balaão diante dos filhos de Israel no deserto foi, o da “prostituição” (cf. Nm capítulo 25). A palavra grega aqui usada, “pornéia”, ela alcança todas as formas de imoralidades, porquanto é usada tanto nos ensinos dos profetas, como dos Apóstolos, e de um modo especial nos ensinos de Jesus, para indicar as “formas” dessa prática de infidelidade contra a santidade e a moral.

15. “Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas: o que eu aborreço”.

I. “...doutrina dos nicolaítas”. No versículo 14 deste capítulo, encontramos a “doutrina de Balaão”, aqui agora, a “doutrina dos nicolaítas”. O leitor deve observar que na igreja de Éfeso, o Senhor Jesus aborrecia “as obras dos nicolaítas” (2.6 e ss), e aqui na igreja de Pérgamo, ele aborrece a sua “doutrina”. Alguém observa: “o mal sempre se alastra em escala crescente: “um abismo chama outro abismo”: diz o Salmista na poesia (Sl 52.7): o que era “doutrina” (ensino) em Pérgamo, ao mesmo tempo se tornara “obras” (práticas) em Éfeso. Já encontramos os “nicolaítas” em Éfeso (2.6). Em Pérgamo o mal tinha crescido. Já era “doutrina” presente e sustentada: (na igreja). Essa doutrina é semelhante à de Balaão, conduzindo a um rebaixamento do padrão moral. Algumas traduções trazem: “tens lá os seguidores dos nicolaítas: o que aborreço”. De qualquer forma, declara M. S. Novaj, no versículo 6 do capítulo 2 está bem claro o juízo do Senhor. A acomodação da igreja com o mundanismo hoje, que amortece a sensibilidade moral e doutrinária de tantas igrejas, teve, pois, sua repreensão na igreja de Pérgamo, pois é tanto presente, como escatológica (Ec 3.15).

16. “Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca”.

I. “...com a espada da minha boca”. No capítulo 19.19 deste livro, o famoso guerreiro (Jesus) trará também uma poderosa Espada. Ali é dito por João, que ela está afiada. Paulo, o Apóstolo nos dá a interpretação sobre isso dizendo: “A espada é a palavra de Deus” (Ef 6.17), e em (2Ts 2.8), ela é chamada, exatamente: “o assopro da sua boca”.
1. Muitas outras revelações são feitas a esta espada: (a) Espelho: poder revelador. Tg 1.23 a 25. (b) Semente: poder gerador. Lc 8.11; Jo 15.3. (c) Água: poder purificador. Ef 5.26. (d) Lâmpada: poder iluminador. Sl 119.105; 2 Pd 1.19. (e) Martelo: poder esmiuçador. Jr 23.29. (f) Ouro e vestimentas: poder enriquecedor. Sl 19.10; Ap 3.17. (g) Leite, Carne, Pão e Mel, etc: poder alimentador e nutritivo. Sl 19.10; Jr 15.16; Mt 4.4; 1 Pd 2.2. (h) Espada: poder para a batalha, cortar, dividir etc. Hb 4.14; Ap 2.15 e 19.15.

17. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito dz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe”.

I. “...comer do maná escondido”. Os gnósticos ofereciam “vantagens abertas”, mediante suas práticas imorais, seus prazeres e a satisfação da parte carnal do homem. Cristo oferece-nos aquilo que está oculto a maioria dos homens: o maná escondido! Para a igreja de Pérgamo o Senhor faz, ao vencedor, uma tríplice promessa: comer do maná escondido, receber uma pedra branca, e um novo nome. O “maná” era um tipo de Cristo, o pão da vida (Jo 6.48), ele caía no deserto, mas não era do deserto (Êx 16.35); Cristo, estava no mundo, mas não era do mundo (Jo 17.16). “No sul da Argélia, em 1932, depois de condições atmosférica incomuns “houve precipitações de uma matéria esbranquiçada, sem cheiro, sem gosto, de espécie farinácea, que cobria as tendas e a vegetação cada manhã. Também em 1932, uma substância branca como maná cobriu certa manhã uma área de terreno de 640m x 20m, numa fazenda e em Natal (Zuzulandia: África do Sul) e foi comida pelos nativos. Porém, nada disso foi o maná “escondido”: “Man um” (heb. Que é isto? Êx 16.15). Mas Cristo, nosso Senhor, nos dará a comer o verdadeiro “pão do céu” (cf. Jo 6.32).
1. Uma pedra branca. Relativamente a esta “pedra branca” do texto em foco, há muitas opiniões e formas de interpretações:
(a) Conferia-se a pedra branca a um homem que sofrera processo e era absolvido. E como prova, levava, então, consigo a pedra para provar que não cometera o crime que se lhe imputara. “Assim, a “pedrinha branca” alude a uma antiga prática judicial da época de João: quando o juiz condenava a alguém, dava-lhe uma pedrinha preta, com o termo da sentença nela escrito; e, quando impronunciava alguém, dava-lhe uma pedrinha branca, com o termo da justificação nela inscrito”. É evidente que a aplicação em foco, e as que se seguem, deve haver alusão a uma delas! A promessa deve referir-se a coisa que os cristãos de Pérgamo compreendiam muito bem.
(b) Era também concedida ao escravo liberto e que agora se tornara cidadão da província. Levava a pedra consigo para provar diante dos anciãos sua cidadania.
(c) Era conferida também a vencedor de corridas e de lutas, como prova de haver vencido seu opositor. Sempre que este competidor conseguia ouvia-se dizer: “correu de tal maneira que o alcançou” (cf. 1Co 9.24b). Isto podia significar tanto uma “coroa de louro” ou uma pedrinha branca”.
(d) A pedra da amizade: Dois amigos poderiam, como sinal de amizade, partir uma pedra branca pelo meio, e cada um ficava com a metade. Ao se encontrarem, a pedra era refeita, e a amizade continuaria.
(e) Também era conferida ao guerreiro, quando de volta da batalha e da vitória sobre o inimigo. Esta forma de interpretar o texto, se coaduna bem a tese principal. Nesta passagem, a pedra branca será entregue ao “Vencedor” do inimigo de Deus e dos homens: o diabo (12.11).
2. Um novo nome. “Longe de ser simples etiqueta, pura descrição externa, o nome em toda a extensão das Escrituras tem profundo significado... ele exprime a realidade profunda do ser que o carrega. Por isso a criação só está completa no momento em que é colocado o nome (cf. Gn 2.19). Por outro lado, Deus é “Javé”, isto é, “Ele é”, pois sua realidade é de ser eternamente (Êx 3.13 e ss). Por todas estas razões, eliminar o nome é suprimir a existência (cf. 1Sm 24.22; 2Rs 14.27; Jó 18.17; Sl 83.5; Is 14.22; Sf 1). Do ponto de vista divino, o nome de Deus é o nome por excelência. Zc 14.9”. No presente texto, a promessa de um novo nome é reafirmada, no capítulo 3.12 deste livro. Esse nome que a Igreja receberá da parte de Cristo, é sem dúvida, “um nome social”. Isto, se dará, logo após a celebração nupcial nas bodas do Cordeiro. Esse nome conferirá a Noiva condição de “esposa, mulher do Cordeiro” (cf. Is 56.5; Jr 15.16; Ap 2.17; 3.12; 19.12). Não deve ser “Hephzibah” (meu regozijo está nela); nem “Beulah” (ou casada). Is 62.4. Esse é o de Sião. Essa pedra terá seu valor aumentado com a inscrição misteriosa! Só uma coisa é certa: esse novo nome é uma grande bênção de Deus! (cf. Gn 12.2 e 17.5).



Apocalipse
Versículo por Versículo

Severino Pedro da Silva